Trabalho em parceria promove a restauração florestal na bacia do rio Doce

Atualizado: Out 15

As ações promovidas desde o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), têm contribuído para a restauração florestal de áreas na bacia do rio Doce. O trabalho conjunto da Fundação Renova com mais de 200 produtores rurais resulta na melhoria da qualidade e quantidade de água de mananciais alternativos na região atingida. Mais de 400 produtores também participam das ações para recuperação de nascentes.


Os agricultores que se comprometem a recuperar nascentes, outras APPs e áreas de recarga hídrica em suas propriedades recebem uma compensação financeira da Fundação Renova. O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) tem como objetivo apoiar uma mudança da cultura extrativista para a preservacionista no ambiente rural.


As atividades de restauração florestal alcançaram, até o momento, cerca de 980 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e áreas de recarga hídrica em Minas Gerais e no Espírito Santo. Mudas utilizadas nestas ações são produzidas em parceria com viveiros localizados na bacia do rio Doce.


“Ao participar dos Programas de Recuperação de APPs e Nascentes, o produtor rural tem a oportunidade de regularizar ambientalmente sua propriedade e de melhorar a qualidade e a quantidade de água, entre outros benefícios. O produtor não terá custo algum, sendo a Renova responsável por executar a restauração ambiental, fornecendo os insumos, a mão de obra e o acompanhamento técnico.”

Cláudio Soares, especialista de Restauração Florestal da Fundação Renova



Antonio Carlos Schneider é produtor de café, hortaliças e de jiló, banana e mandioca da região de Colatina (ES). Engajado na produção sustentável e preservação ambiental, ele é um dos parceiros da Fundação Renova na recuperação de nascentes.


“Todo mundo acaba sendo impactado se o rio tá doente, né? E precisamos trabalhar pela preservação do meio ambiente. Eu já tinha a intenção de recuperar nascentes da propriedade quando soube da Renova. Trabalhamos há quatro anos. As pessoas acham que recuperar uma nascente é da noite para o dia, mas quem está aqui sabe o trabalho que dá. Eu faço a minha parte. Porque a gente tem de trabalhar sério. Não é brincadeira. Depois do serviço de cercamento, tem que roçar, fazer o acero entre a cerca capinado pro fogo não passar, é muita coisa.”

Antonio Carlos Schneider, produtor rural da região de Colatina (ES)


Do extrativismo ao preservacionismo


A adesão ao PSA é voluntária e a Fundação Renova é responsável por executar e dar suporte à restauração ambiental nas propriedades, fornecendo os insumos e mão de obra. O produtor rural fica responsável pela preservação das áreas contempladas pelo programa por um prazo de cinco anos e é remunerado por isso através do PSA. A iniciativa tem como objetivo apoiar uma mudança da cultura extrativista para a preservacionista no ambiente rural.







Antonio Carlos Bletes, de Periquito (MG), é um dos produtores rurais que aderiram ao PSA e está recuperando nascentes em sua propriedade.


“O problema da água acaba afetando a região toda. Minhas nascentes direcionam pro saião e ele corre para o Rio Doce. São duas nascentes com volume muito bom. Quando eu comprei a propriedade, há 9 anos, elas chegaram a parar de produzir. Quando a Renova chegou com essa proposta, a gente já estava preocupado em preservar essas nascentes. Fizemos o cercamento, e agora vamos começar a fazer as barraginhas. Depois que começamos a trabalhar em parceria, as coisas melhoraram muito. Precisa ver a água que vem das nascentes hoje.”


Antonio Carlos Bletes, produtor rural de Periquito (MG)



Resultados da recuperação de áreas diretamente atingidas pelo rejeito


A reparação de cerca de 550 hectares de florestas e APPs foi concluída no primeiro trimestre de 2021 em áreas de Mariana, Barra Longa, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Ponte Nova. A recuperação envolveu mais de 200 propriedades rurais afetadas diretamente pelos rejeitos da barragem de Fundão, nas quais foram plantadas 300 mil mudas de 96 espécies nativas. As áreas foram protegidas por cercamento ou pela própria vegetação nativa.







A Fundação Renova fará o monitoramento das áreas em processo de restauração e também ficará encarregada pelas manutenções até 2026, como a realização de roçadas, adubações, combates a formigas e replantios, caso sejam necessários.


Recuperação apoiada em dados ambientais


A Fundação Renova criou um banco de dados sobre as condições florestais na bacia do rio Doce, um dos maiores mapeamentos em andamento no país. No Inventário Florestal são levantadas informações sobre a variedade de espécies, condições da vegetação e fertilidade do solo. Nas áreas avaliadas, as árvores são marcadas com plaquetas e têm suas informações disponibilizadas por QR Code. Dados como altura das árvores, diâmetro e espécies são mapeados.


A partir dos dados levantados pela iniciativa serão gerados indicadores de restauração, que poderão servir de subsídio para formulação de políticas públicas, que visam o uso sustentável, a recuperação e a conservação dos recursos florestais.





Edital prevê mobilizar 4.500 produtores rurais


A Fundação Renova e o WWF-Brasil abriram o Edital de Adesão de Produtores Rurais aos Programas de Restauração Florestal. O projeto visa mobilizar 4500 produtores rurais em 25 municípios da bacia do rio Doce. Eles devem atuar no reflorestamento de mais de 13 mil hectares na bacia do Rio Doce e na recuperação de cerca de 960 nascentes. As inscrições ficarão abertas até o dia 1º de dezembro de 2021 no site. Até o momento, foram cadastrados mais de 9 mil hectares de áreas degradadas.


No vídeo, José Carlos Carvalho, ex-ministro do Meio Ambiente e coordenador da unidade gestora dos programas de restauração florestal da Fundação Renova na bacia do rio Doce, explica os benefícios destinados aos produtores rurais que se inscreverem no edital.