Soluções para o rejeito aliam tecnologia à recuperação ambiental



A atual qualidade da água da bacia do rio Doce é um dos resultados do trabalho com os rejeitos que se espalharam pelo rio Doce e seus afluentes. Entre as ações realizadas estão a aplicação da tecnologia de renaturalização e das pioneiras Estações de Tratamento Natural (ETNs). Ambas são utilizadas para melhorar a qualidade da água do rio Gualaxo do Norte (MG), curso d’água mais afetado pelo rompimento e um dos principais afluentes do rio Doce.


A melhoria dos afluentes tem impacto direto no rio Doce.


A renaturalização foi importada do Reino Unido, onde foi utilizada no programa de despoluição do Tâmisa, o emblemático rio que corta Londres e desagua no mar do Norte. No Brasil, foi adaptada pela Aplysia, empresa especializada em soluções ambientais, e aplicada no rio Mangaraí, no Espírito Santo, e agora no Gualaxo do Norte, em Minas Gerais.


A técnica consiste, basicamente, em simular uma ação natural nos rios. Troncos de árvores são fixados nas margens e no fundo dos rios, alterando a velocidade e o volume das águas e retendo sedimentos. Cria-se, assim, os “remansos”, ou locais apropriados para reprodução de peixes e outras espécies.


No Mangaraí, a renaturalização foi aplicada em um trecho de 200 metros, que apresentou crescimento de peixes 80% maior do que no restante do rio. No Gualaxo do Norte, cerca de dois quilômetros do leito estão sendo renaturalizados. O trecho escolhido foi mapeado com base em levantamento detalhado das características do rio.


Além da renaturalização, outros tipos de tecnologias inovadoras, como Estações de Tratamento Natural (ETNs), que também estão sendo utilizadas no rio Gualaxo do Norte. Criada pela startup LiaMarinha, de Mariana (MG), as ETNs são compostas por ilhas flutuantes, barreiras filtrantes e plantas fitorremediadoras, que retiram resíduos da água sem o uso de qualquer produto químico.

Soluções emergenciais


Ações emergenciais realizadas logo após o rompimento da barragem de Fundão também ajudaram a recuperar a região do Gualaxo do Norte:


800 hectares receberam plantio de espécies nativas de rápido crescimento


1.522 hectares tiveram ações de controle de erosão e reconformação de margens


113 afluentes que haviam desaparecido com os rejeitos foram recuperados



Uso de mantas de fibra de coco biodegradáveis para recompor leitos


Uso de técnica de contenção de erosão, conhecida como enrocamento (uso, nas margens dos rios, de grandes rochas que funcionam como filtros de rejeito)

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