Reserva Técnica recupera bens culturais



Criada pela Fundação Renova em 2016, a Reserva Técnica, em Mariana (MG), abriga bens de valor histórico, cultural e religioso das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão. Profissionais coletam, catalogam, restauram, armazenam e devolverão as peças às comunidades que estão no caminho da reparação. As atividades da Reserva fazem parte do programa Memória Histórica, Cultural e Artística, que busca recuperar bens culturais de natureza material e preservar patrimônio cultural das comunidades de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana, e de Gesteira, em Barra Longa (MG).


A etapa inicial dos trabalhos começa ainda em campo (0), onde a umidade das peças é medida com termohigrômetro e o resultado é anotado numa ficha de coleta. Quando a peça chega na Reserva Técnica com etiqueta de coleta (1ª etapa), ela é colocada em bancada específica, junto à listagem de coletas do dia. Ao receber as obras (2ª etapa), os especialistas abrem as embalagens de transporte e conferem a listagem de coleta. Fichas de identificação são preenchidas, o tratamento com conferência das informações das etiquetas de coleta é feito e a umidade das peças é medido novamente.


Em seguida acontecem a primeira triagem e a classificação das intervenções emergenciais (3ª etapa) – as peças eram acondicionadas na sala de quarentena, mas essa etapa foi extinta. Em caso de tratamento emergencial (4ª etapa), as peças são limpas de maneira mecânica/ a seco, úmida e/ou química. Se ainda for necessário, elas passam por refixações emergenciais.


O estágio seguinte é a produção de embalagens (5ª etapa) para peças que corram o risco de dissociação de partes integrantes, de desaparecimento (devido ao pequeno volume), ou rolamento e queda. As peças são, então, acondicionadas na sala da Reserva (6ª etapa), as fichas de identificação são finalizadas e o mapeamento da sala é atualizado (7ª etapa).



A primeira fase dos trabalhos da equipe da Reserva Técnica ocorreu de 2015 até o meio de 2016, quando em torno de 15 arqueólogos atuaram em campo nas comunidades de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira e ao longo dos rios, completando o trecho da barragem até a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga), em Rio Doce (MG). A equipe realizou atividades de escavação em igrejas e entorno e de varredura em áreas de concentração de lama.


A segunda fase começou na metade de 2016 e segue até hoje nas mesmas regiões. Os arqueólogos realizam atividades de caminhamento (observam a presença de algum bem por toda a área percorrida) e tradagem (perfurações com a ferramenta cavadeira para procurar objetos na subsuperfície), numa ação para regaste dos bens culturais.


Questões como valor cultural e religiosidade permeiam todo o trabalho de coleta, limpeza e restauração das peças. “Esses objetos são o que restou das referências culturais e religiosas dessas comunidades, por isso é muito importante fazer a reparação destas peças e fragmentos”, explica a arquiteta e arqueóloga Danielle Lima, responsável pela Reserva Técnica.


Projeto de qualificação do acervo

A Cantaria Conservação e Restauro é parceira da Fundação Renova desde 2018 na elaboração de projetos de restauro, execução de restaurações, gestão e monitoramento do acervo da Reserva Técnica. Além disso, a Cantaria é responsável pela qualificação do acervo, que consiste em averiguar, junto às comunidades atingidas, dados relativos à identificação, nominação, procedimento, localização, datação, pertencimento, atribuição de significados sobre as peças e fragmentos recolhidos e mantidos na Reserva Técnica.


“Sem a contribuição das comunidades que conviveram com esses bens culturais, o acervo perde muito da história, memória e significados presentes nos objetos”, explica Sílvia Marques, pedagoga da Cantaria.

Foram realizados dois encontros com a comunidade de Paracatu de Baixo e uma reunião com a comissão de atingidos de Bento Rodrigues, ambos distritos de Mariana (MG). O encontro com a comunidade de Gesteira, em Barra Longa (MG), aguarda agendamento.


Números

Conheça os principais números do trabalho de especialistas no restauro e armazenamento do acervo reunido na Reserva Técnica:

Cerca de 2,5 mil peças sob os cuidados de profissionais

Mais de 1,4 mil peças higienizadas

33 conjuntos de bens integrados

52 conjuntos de bens móveis

264 fichas de inventário

100% das peças de madeiras foram desinfestadas

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