Expedição cria mapa virtual imersivo com situação atual da bacia do rio Doce

Atualizado: Abr 15



A bacia do rio Doce foi cenário de uma expedição realizada pela Fundação Renova de novembro de 2020 a janeiro de 2021. Batizada de Expedição Rio Doce, a ação é um mapeamento fotográfico detalhado das condições atuais dos rios na região impactada pelo rompimento da barragem de Fundão.


Foram mais de 1,5 milhão de imagens captadas durante o período de chuvas da região, ao longo de 55 dias, em cerca de 600 km de percursos fluviais, marítimos, terrestres e aéreos, do rio Gualaxo do Norte, em Mariana (MG), até a foz do rio Doce.


O mapeamento, um dos maiores já produzidos em uma bacia hidrográfica, é público, permitindo que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, navegue virtualmente pela bacia, pelo Google Street View. A experiência de navegação virtual foi expandida e deu origem à plataforma Expedição Rio Doce, interface personalizada em que o usuário percorre parte da região mapeada, com a possibilidade de interagir com conteúdo audiovisual, informações sobre a qualidade da água, histórico da região e de moradores, e ações de reparação socioambiental.



É importante destacar que a Expedição Rio Doce aconteceu de novembro de 2020 a janeiro de 2021, período chuvoso na região. Nessa época do ano, a variação do nível do rio se mostrou elevada e com aumento temporário de turbidez, condições que são comuns no período. Entre os conteúdos presentes na plataforma Expedição Rio Doce estão imagens que foram captadas no trajeto. São disponibilizados, ainda, conteúdos informativos sobre as ações realizadas pelos programas de reparação socioambiental da Fundação Renova.


A navegação pode ser feita de duas formas com funções interativas: em visões 360 graus ou por orientação de um mapa, com a identificação do percurso e com a possibilidade de filtrar por tipo de formato dos conteúdos disponíveis para consulta.


Durante a expedição, a equipe chegou a um total de 190 mil imagens captadas especificamente com uma câmera 360 graus, tecnologia que permite uma experiência completa no Google Street View e na plataforma da Expedição Rio Doce.




Minidocumentários


A plataforma também traz uma série de vídeos contando um pouco da história de pessoas que vivem ao longo da bacia. Neles, é possível conhecer o trabalho de muitas pessoas importantes no caminho da reparação, como o biólogo e pecuarista Maurício Machado, um dos produtores rurais parceiros da Fundação Renova que atuam na restauração florestal do rio Gualaxo do Norte; ou o piscicultor Tiago de Oliveira Venâncio, da Associação de Pescadores e Amigos do Rio Doce, que começou a produzir pintado em Governador Valadares (MG) graças às ações de Economia e Inovação em parceria com a BrazilFoundation.


Outros vídeos disponíveis retratam a Comunidade de Quilombo de Degredo, na região de Linhares (ES), e o monitoramento de tartarugas marinhas, realizado pela Fundação Renova em parceria com a Fundação Projeto Tamar, em Regência, Linhares (ES). Há ainda registros da biodiversidade por meio de câmeras armadilha e a demonstração de como é realizado o Inventário Florestal da bacia do rio Doce, que constrói um banco de dados do ecossistema da região.


Conheça as histórias aqui.


Equipamentos


Contabilizando a visita técnica e a descida no rio, foram percorridos de carro cerca de 37 mil quilômetros. Somando todo o material audiovisual, entre fotos e vídeos, foram 134 horas de captação, com 291.500 arquivos registrados na ação.


Para realizar toda a operação de captação de imagens por água e por terra, foi necessária uma diversidade de equipamentos que, juntos, somam quase 1 tonelada. São câmeras, drones, servidores, computadores, barcos, geradores, baterias, placas solares, ferramentas e suprimentos.



Monitoramento


A Expedição Rio Doce é uma das iniciativas para dar transparência às ações de reparação socioambiental, especialmente aquelas relacionadas à recuperação da bacia do rio Doce.

A água do rio Doce pode ser consumida após passar por tratamento convencional nos sistemas públicos de abastecimento de água. É o que indicam os mais de 1,5 milhão de dados gerados anualmente por um dos maiores sistemas de monitoramento de cursos d’água do Brasil.


Desde 2017, a bacia do rio Doce tem pontos de monitoramento e estações automáticas que permitem acompanhar, ao longo do tempo, sua recuperação e gerar subsídios para as ações de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão. Os dados são gerados anualmente pelo Programa de Monitoramento Quali-Qualitativo Sistemático de Água e Sedimento (PMQQS) conduzido pela Fundação Renova. Os dados estão disponíveis no portal monitoramento Rio Doce, em forma de gráficos e mapas, sendo possível fazer o download das informações em planilhas.


Os resultados do monitoramento da bacia do rio Doce demonstram uma tendência de recuperação em toda a região impactada, com a retomada das concentrações dos parâmetros de qualidade da água em níveis históricos. Mesmo antes do desastre, o nível de turbidez dos rios é mais elevado no período de chuvas – de outubro a março – como já apontava o monitoramento realizado pelos órgãos de gestão de recursos hídricos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Os resultados dos períodos chuvosos após o rompimento mostraram uma melhora na condição dos rios impactados. Já no período seco – de abril a setembro – é possível observar, desde 2016, condições similares às de antes do rompimento da barragem de Fundão.


Segurança


Algumas estratégias foram fundamentais no contexto da Covid-19 e exigiram um planejamento criterioso, para garantir o cumprimento de todos os protocolos adotados pela Fundação Renova, integrados também às recomendações sanitárias e diretrizes de estados e municípios visitados. A equipe passou por testagem e rigorosos períodos de quarentena e se isolou em um motorhome, com estrutura autossuficiente. O objetivo foi evitar o contato com as comunidades e manter o distanciamento social.