Estudo monitora restauração florestal e revela bom potencial de recuperação da Mata Atlântica


Equipe em trabalho de campo durante o primeiro monitoramento. Fonte: Joaquim Freitas/Cepan

Testes com sementes nativas da Mata Atlântica apresentam bom resultado de germinação em áreas da bacia do rio Doce que passam pelo trabalho de restauração florestal realizado pela Fundação Renova. Essa é a conclusão de pesquisas de campo realizadas há cinco meses nos municípios de Governador Valadares, Periquito e Galileia, em Minas Gerais.

A pesquisa é realizada pela Iniciativa Caminhos da Semente em parceria com Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, iniciativa da Fundação Renova com o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) que conta com a colaboração da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O trabalho monitora o plantio de espécies nativas realizado pela Rede e pelo Centro de Informação e Assessoria Técnica (Ciaat), parceiro da Fundação Renova na restauração florestal.

O monitoramento, atividade realizada de forma contínua durante o processo de restauração florestal, tem o objetivo de identificar as melhores práticas para ganhar escala e reduzir custos da restauração florestal. Nas visitas de monitoramento são analisados, entre outros indicadores, a densidade, frequência e a riqueza das espécies das sementes germinadas.

A área monitorada é de 11 hectares de um total de 44 hectares (equivalente a 44 campos de futebol) que foram utilizados para semeadura das espécies nativas. Foi observado que das 57 espécies semeadas, 26 germinaram em 30 dias após a semeadura, o que corresponde a uma média de germinação de 9.333 plantas por hectare. A área faz parte dos 40 mil hectares de floresta na bacia do rio Doce que receberão processo de restauro da Fundação Renova.

“Esse resultado, que já é satisfatório, considerando o tempo da semeadura, pode ser ainda melhor. Com o passar do tempo, outras espécies irão germinar e serão apontadas em monitoramentos futuros, aumentando a diversidade dos plantios”.

Felipe Tieppo Especialista em Operações Agroflorestais da Fundação Renova

Foram realizados três tipos de plantio: semeadura direta em berço, que consiste no plantio de sementes no pé da muda; semeadura direta em linhas, que intercala linhas de sementes e linhas de mudas, com uma distância de 3 metros entre elas; e semeadura direta a lanço, que corresponde à distribuição manual de sementes em área total. Entre as espécies germinadas, estão: Guaritá (Astronium graveolens), Ipê-Rosa (Handroanthus impetiginosus), Boleira (Joannesia princeps), Tamboril (Enterolobium contortisiliquum), Jatobá (Hymenea courbaril), Urucum (Bixa orellana) e Crolatária (Crotalaria spectabilis).

Acesse o relatório técnico que detalha as atividades realizadas no primeiro monitoramento.

Mudas de Crotalária em desenvolvimento inicial. Crédito: Lara Ribeiro/Cepan

Rede de Sementes e Mudas

A Rede de Sementes e Mudas foi criada para fortalecer a cadeia produtiva de restauração florestal e dar suporte à meta da Renova de restaurar 5 mil nascentes e 40 mil hectares de outras Áreas de Preservação Permanente (APPs) para revitalização da bacia em um período de dez anos. A iniciativa reúne coletores de sementes e viveiristas e vai desenvolver sementes e mudas em quantidade suficiente para inicialmente atender a, aproximadamente, 50% da demanda da Renova no processo de restauração florestal. Com a estruturação da Rede, deverá atender 100%.

Saiba mais sobre a Rede na entrevista realizada com o especialista em Operações Agroflorestais da Fundação Renova, Felipe Tieppo:



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