Concluída a implantação da restauração florestal em áreas afetadas pelos rejeitos de Fundão (MG)

Atualizado: há 5 dias



A Fundação Renova concluiu a implantação da restauração florestal de 550 hectares de florestas e Áreas de Preservação Permanente (APPs) localizadas em Mariana, Barra Longa, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Ponte Nova, municípios que sofreram o primeiro impacto ambiental do rompimento da barragem de Fundão (MG).

Para o trabalho de restauração foram destinados R$ 356 milhões e o processo envolveu 202 propriedades rurais afetadas diretamente pelos rejeitos, com adesão e autorização dos produtores rurais. No total, essas áreas receberam cerca de 300 mil mudas de 96 espécies nativas. Todos os hectares agora estão protegidos e serão monitorados para avaliar a efetividade da restauração e dos métodos usados. A Fundação Renova ficará ainda encarregada pelas manutenções até 2026, como roçadas, adubações, combates a formigas e replantios caso seja necessário.


Veja os resultados obtidos com a restauração florestal nas áreas impactadas pelos rejeitos da barragem de Fundão (MG):


Os resultados da restauração florestal nas APPs são visíveis. Nas áreas implantadas, foram observados indicadores como cobertura vegetal acima de 80%, índices satisfatórios de massa vegetal acima do solo, índice de solo exposto comparado ao período pré-rompimento e aumento de regenerantes de diversidade de espécies nas áreas.


Com o término da implantação da restauração florestal em áreas diretamente impactadas, a Fundação Renova protocolou os resultados na Câmara Técnica de Restauração Florestal e Produção de Água (CTflor) e no Comitê Interfederativo (CIF).


A próxima etapa consiste no monitoramento ecológico da região para avaliar a efetividade da restauração e dos métodos usados. A partir do levantamento de dados, será analisada a necessidade de ações para aumentar a densidade e diversidade de espécies nas áreas, além de possíveis ações corretivas. A previsão é destinar R$ 81 milhões para esta próxima etapa de monitoramento e a continuidade das manutenções.


A linha do tempo acima apresenta a evolução ao longo do tempo do período antes do rompimento até os dias atuais. Isto é possível evidenciar por meio de imagens de satélites e ortofotos de drones georreferenciais.


Produtores rurais: papel fundamental no processo da restauração


Para engajar 202 proprietários na restauração ambiental, primeiro foi necessária a retificação ou a elaboração do Cadastro Ambiental Rural (CAR) - registro público eletrônico e obrigatório para obtenção da regularidade ambiental do imóvel – das propriedades rurais.


O trabalho só teve início após a assinatura do termo de adesão à adequação ambiental por parte do dono do terreno e a apresentação do projeto específico da propriedade. Com a autorização, a Fundação Renova iniciou o cercamento para proteger e delimitar a área de APP. Em seguida, com o preparo de solo, a equipe em campo realizou o combate a formigas, adubação e o plantio das mudas nativas.


A demarcação das faixas de APPs a serem recuperadas se dá por meio do dimensionamento exigido na legislação florestal. Alguns proprietários não só autorizaram e aderiram à adequação ambiental, como, também, realizaram atividades como o plantio e a manutenção do que foi plantado.

“Nesse processo, o produtor efetua a atividade e recebe por essa mão de obra, e os insumos são fornecidos pela Renova. É uma forma de parceria que cria um sentimento de pertencimento da área reflorestada e gera uma receita a mais para o atingido”.

Giorgio Peixoto,

Gerente do Uso Sustentável da Terra da Fundação Renova


A videorreportagem abaixo traz detalhes sobre o trabalho que envolveu 202 propriedades rurais, o plantio de 300 mil mudas de 96 espécies nativas e o uso de aproximadamente 526 km de cerca para proteger e delimitar as APPs.



Processo de revegetação começou em 2015


Todo o processo de restauração começou nos anos de 2015 e de 2016. À época, foi feito um plantio emergencial de 800 hectares com gramíneas e leguminosas de rápido crescimento para controle de erosão. Paralelo a isso, calhas, margens e planícies foram regularizadas e receberam revegetação. Para completar, ocorreu a recomposição da mata ciliar, que é fundamental à saúde dos cursos d’água.


O resultado positivo de um plantio florestal piloto com espécies nativas para testes de restauração florestal sobre rejeitos, feito em 2017, foi o respaldo para definição da metodologia de preparo inicial do solo afetado e sobrevivência de espécies.


2018: estudos comprovaram que reflorestamento era viável


Estudos no solo afetado feitos por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (MG), em 2018, foram determinantes para assegurar se o reflorestamento nessa região seria viável. Um deles foi desenvolvido por Maria Catarina Kasuya, especialista em microbiologia do solo.


Analisou-se amostras de mudas que receberam substrato à base de tipos de fungos e bactérias para repovoar áreas afetadas e permitir um crescimento com qualidade e eficácia. A pesquisa indicou também que o processo de revegetação emergencial auxiliou na repovoação da biomassa microbiana dos solos onde houve deposição de rejeitos. Com os microrganismos, foi possível cultivar mudas resistentes a solos críticos, como trechos onde há rejeitos.



Em paralelo, estudos realizados pelo professor titular do Departamento de Engenharia Florestal da UFV, Sebastião Venâncio, mostraram que o rejeito não impede o processo de recuperação ambiental se houver a aplicação de técnicas de manejo e melhoria na fertilidade do solo com nutrientes adequados.




Já Carlos Schaefer, professor da UFV, e sua equipe monitoram, desde 2015, o solo diretamente atingido pelo rompimento da barragem de Fundão. Após quatro anos de pesquisas, ele afirma que não há limitações para plantio nas propriedades atingidas pelo rejeito. Para realizar os estudos, a equipe do professor monitora mais de 60 pontos, distribuídos entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga).




Mapeamento definiu qual região seria reflorestada


O Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC), acordo que instituiu a Fundação Renova em 2016, previa o reflorestamento de dois mil hectares, a partir do mapeamento da região a ser reflorestada. Mas, após estudos detalhados, concluiu-se que, dessa área, os cerca de 550 hectares eram passíveis de reflorestamento.


O restante (em torno de 1.450 hectares) corresponde a corpos d’água, construções civis, rochas, estradas consolidadas, áreas agrícolas, áreas íngremes, areal, vilas (Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo), cidades (sede de Barra Longa), faixa de servidão (rede elétrica, mineroduto, gasoduto e rodovia), passagem para dessedentação animal e áreas de inundação, que são áreas não passíveis de restauração florestal.



Veja o trecho revegetado


É possível ver o trecho revegetado acessando a plataforma Expedição Rio Doce, que disponibiliza um mapeamento fotográfico detalhado das condições atuais dos rios na região impactada pelo rompimento da barragem de Fundão, permitindo que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, navegue virtualmente pela bacia do rio Doce, pelo Google Street View. Na plataforma, a experiência de navegação virtual foi expandida e o usuário percorre parte da região mapeada, com a possibilidade de interagir com conteúdo audiovisual, informações sobre a qualidade da água, histórico da região e de moradores, e ações de reparação socioambiental.