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Reconfiguração da Bacia do Rio Doce



Cerca de 2.600 hectares serão recuperados, uma área quatro vezes maior que os locais com depósito de rejeito após o rompimento da barragem de Fundão. O desafio é oferecer soluções produtivas e compensar as áreas de proteção das propriedades rurais conforme preconiza a legislação brasileira.


“Quando a lama atingiu áreas de preservação permanente, o proprietário perdeu área fértil. Ele utilizava esses locais devido à grande concentração de matéria orgânica. Dentro dessa realidade, entra a importância da retomada integrada da propriedade rural. O desafio é oferecer soluções produtivas para compensar as áreas de proteção que ele deixará de explorar”, afirma Lucas Scarascia, líder de Programas Socioambientais da Fundação Renova.

Até o momento, foram recuperados 99 hectares fora da área onde a lama de rejeito passou. Está prevista a recuperação de 594 hectares de áreas produtivas impactadas (pastagens e plantios agrícolas), 47 hortas e 76 pomares.


Para mapeamento e embasamento das ações, são aplicadas pela Fundação Renova as mesmas ferramentas que subsidiam políticas públicas. Uma delas é a avaliação feita pelo Zoneamento Ambiental Produtivo (ZAP), que disponibiliza uma base de dados e informações para o aprimoramento da gestão ambiental em bacias hidrográficas.


O ZAP ajuda a fazer uma análise das propriedades em sua totalidade. Ainda são examinados, a cada dois anos, os Indicadores de Sustentabilidade em Agroecossistemas (ISAs), composto por um conjunto de 21 indicadores, entre eles fertilidade do solo, gerenciamento de resíduos, diversificação da paisagem e vegetação nativa.


Todas essas informações são base para o Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental das Propriedades Rurais (Pasea), aplicado pela Emater-MG.



Práticas conservacionistas


Com o engajamento e a conscientização das famílias, a frente de Uso Sustentável da Terra da Fundação Renova desenvolve ações em 235 propriedades para garantir a retomada de suas atividades a partir de práticas de conservação ambiental.

Entre os objetivos estão a ampliação e difusão de experiências agroecológicas, diversificação da produção, gestão da propriedade, o manejo racional da produção agropecuária e a conservação de recursos naturais, como solo e água.

Protagonistas nesse processo, os produtores participam da adoção de tecnologias de baixa emissão ou captura de carbono, melhoria de segurança alimentar e incremento, com o apoio dos órgãos reguladores, de serviços ambientais em áreas produtivas ou de conservação.


Até o momento, foram implantadas 248 barraginhas (açudes para captação de água pluvial), 10 hectares de piquetes para manejo sustentável do gado, benfeitorias como galinheiros e currais, reparação dos sistemas de irrigação danificados e assistência técnica continuada com foco no manejo de água da propriedade. Para manejo do solo, em alguns casos, foram realizados cercamentos, correção do solo, adubação e plantio.


Implantação de técnicas de conservação de solo e água


Para incentivar a melhoria genética pecuária e aumento da produtividade, foram inseminadas 939 matrizes, que resultaram em 472 prenhezes e 225 nascimentos. O programa Renova Rebanho alia a tecnologia da inseminação artificial com técnicas de manejo. Foram realizados 170 atendimentos. Os produtores escolhem as raças – são disponibilizados sêmen de gado holandês, girolando, gir e jersey.


Assista ao vídeo e conheça as ações do Renova Rebanho.



Medidas reparatórias

Com a participação ativa do produtor rural e o apoio de técnicos agrícolas, ambientais, agropecuários e florestais, está previsto, como medida reparatória, o plantio de 1,5 milhão de mudas de espécies da Mata Atlântica às margens dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce. Serão 664 hectares recuperados até 2020.


Restauração de florestas nativas


Até agora, foram restaurados 183 hectares no território do Alto Rio Doce (Mariana, Barra Longa, Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado). Desses, 92 hectares estão dentro da área impactada do rejeito. A taxa de sobrevivência foi de 83% nos primeiros hectares plantados. A técnica evita erosão na margem do rio, o que dificulta a descida dos rejeitos à água e minimiza a turbidez, além de ter função paisagística e estrutural. Também contribui para o retorno da biodiversidade.

As mudas são produzidas por viveiristas da Bacia do Rio Doce. A medida fomenta a economia local e cria conexões entre especialistas, fornecedores e produtores rurais.

Desde 2018, o plantio de espécies nativas conta com o acompanhamento técnico-científico do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que desenvolve metodologias de plantio convencional e condução da regeneração natural por meio de técnicas alternativas de restauração.