A complexidade social e ambiental na recuperação da bacia do rio Doce


Uma experiência pioneira de recuperação florestal em um cenário de complexidades humanas e ambientais. Criada para desempenhar esse papel, desde 2016 a Fundação Renova conduz um dos maiores programas de recuperação florestal do mundo na bacia do rio Doce.


Diferentes eixos de atuação envolvem profissionais e especialistas que executam programas desenvolvidos com base nos critérios sociais, institucionais, ecológicos e tecnológicos. Tais critérios foram utilizados no mapeamento e na escolha das áreas prioritárias que estão recebendo ações na bacia. Além de levar em conta a diversidade do território, o sistema de governança ampliou a participação social das comunidades atingidas, conferindo a esse aspecto um outro ponto desafiador e fundamental para atingir os melhores resultados na reparação.


Diante de uma bacia que já trazia marcas de degradação ambiental antes do rompimento da barragem, considerar também as fragilidades sociais permite elencar áreas de atuação prioritárias com base nos dados como índice de desenvolvimento humano, na análise da produtividade da terra e na capacidade de regeneração de áreas ecologicamente sensíveis. Um trabalho em que a sensibilização e participação da população é indispensável para que a recuperação alcance os resultados esperados ao longo dos próximos anos.


Os desafios do território, em seu contexto social e ambiental, possibilitaram que especialistas da Fundação Renova compartilhassem, recentemente, suas experiências durante a 8ª Conferência Mundial de Restauração Ecológica, promovida pela SER - Society for Ecological Restoration (Sociedade de Restauração Ecológica) na África do Sul. O evento, que acontece de dois em dois anos, reúne pesquisadores, profissionais de restauração, tomadores de decisão e líderes comunitários do mundo inteiro.


Para o ambientalista, engenheiro florestal e consultor, José Carlos Carvalho, que já foi ministro de Meio Ambiente, presidente do IBAMA e tem um profundo conhecimento da bacia do rio Doce, a participação da Fundação no evento foi muito relevante. “A apresentação da Renova, juntamente com as Universidades de Viçosa e UFMG, se destacou pela escala das metas programadas, pela referência espacial de atender toda uma bacia hidrográfica e pelo suporte técnico científico, reunindo a melhor expertise disponível para mapeamento e identificação das áreas degradadas prioritárias para restauração”, aponta o consultor.


Em sua apresentação durante a conferência, José Carlos Carvalho abordou a importância da mobilização e engajamento dos proprietários rurais no processo de restauração, tornando-os não apenas beneficiários, mas partícipes do processo. O consultor também destacou a criação da Unidade Gestora Regional da Restauração e das Unidades de Acompanhamento Local, integradas por autoridades e lideranças comunitárias locais e ancoradas nos Comitês de Bacia Hidrográfica.


Não há dúvidas de que a pluralidade ambiental e social do território confere um caráter desafiador ao trabalho de restauração da Fundação Renova. Essa atuação exige aos profissionais abordagens distintas e metodologias diferenciadas que culminam na criação de soluções inovadoras para atenderem uma paisagem assimétrica, ainda que se trate de uma mesma bacia hidrográfica.


Acompanhe esses e outros desafios no site Caminho da Reparação.



Representantes da Fundação Renova, comitê técnico, UFV e UFMG presentes na conferência. Da esq. p/ dir. (frente): Felipe Tieppo (Renova), Patrícia Bernardes (Renova), Leonardo Silva (doutorando da Universidade de Lisboa), Luísa Ramaldes (Renova), Sônia Ribeiro (UFMG), José Carlos Carvalho (Comitê Técnico), Lucas Scarascia (Renova). Da esq. p/ dir. (fundo): José Ambrósio (UFV), Elpídio Inácio (UFV), Felipe Drummond (Renova), José Almir (Renova) e Demetrius Silva (reitor UFV).

Equipe da Fundação Renova reunida durante a 8ª Conferência Mundial de Restauração Ecológica.

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